segunda-feira, janeiro 08, 2007
Gravações
Durante todo o dia de Sábado, estivemos no estúdio de um amigo nosso a fazer gravações, no sentido de tornar realidade um desejo de longa data. A ideia principal não é gravar e editar um CD, mas sim fazer uma maqueta que possamos apresentar quando nos for solicitado um concerto. Muitas vezes, para podermos realizar um concerto, as entidades que nos contratam pedem uma maqueta, para terem uma ideia do tipo de música que tocamos e a forma como tocamos. Até hoje, tivemos dificuldades e as “maquetas” que apresentávamos eram músicas gravadas ao vivo, algumas com uma qualidade bastante má. Por isso mesmo, sempre achámos necessário gravar uma maqueta em condições.
Este Sábado foi um dia bastante cansativo e desgastante para todos nós, uma vez que as músicas não saíam bem logo à primeira. Tínhamos que gravar várias versões da mesma música, de modo a podermos aperfeiçoar alguns erros ou algumas partes menos bem conseguidas. O resultado final ainda não está obtido, na medida em que é necessário estudar quais as versões candidatas ao CD e gravar as vozes. Depois desta etapa, é necessário fazer todo o trabalho de edição de som, que ficará ao cargo do nosso amigo João Carlos.
A ele temos que agradecer toda a dedicação e paciência que teve (e está a ter) connosco.
terça-feira, janeiro 02, 2007
Feliz 2007!
sábado, novembro 25, 2006
Memórias I
Uma vez que, por esta altura, os concertos não abundam, este blogue corre o sério risco de ficar demasiado estático, para não dizer morto. Por isso, decidi trazer à memória um dos melhores e maiores momentos da Astedixie Jazz Band. Um dos nossos sonhos era poder participar num festival, ou num outro evento qualquer, que nos desse a possibilidade de enriquecermos, fundamentalmente, a nível musical. Em Portugal, a realidade no que toca ao Dixieland é quase cruel e são muito poucos os espectáculos em que este tipo de música está presente. Surge um ou outro concerto, aqui e ali, mas muito mal (ou muito pouco) divulgados. Geralmente, surgem inseridos em festivais gastronómicos ou outros festivais regionais e sazonais que não têm a ver directamente com este tipo de música e que, por não serem o objectivo principal do evento, não são publicitados, ficando apenas no conhecimento de quem lá vai.
Em 2005, surge então a possibilidade de participarmos na 2ª edição do Festival Internacional de Dixieland, em Cantanhede. Aquilo que o Miguel e a Sandra puderam experimentar na terceira pessoa, no ano anterior, pudemos agora experimentar na primeira pessoa! E a experiência foi extraordinária! Poder contactar e conviver directamente com pessoas que vivem única e exclusivamente para o Dixieland é a melhor experiência de enriquecimento que podemos ter e, neste festival, isso aconteceu! Durante os quatro dias do festival convivemos com músicos profissionais desde manhã cedo até altas horas da madrugada, pudemos participar em jam sessions, trocar conhecimentos uns com os outros e, claro está, mostrar o pouco que sabiamos fazer. Talvez a nossa humildade estivesse a falar mais alto, depois de vermos as outras bandas tocar. A verdade é que recebemos excelentes críticas e foram muitas as pessoas que nos deram os parabéns.Neste festival, todas as bandas participantes tinham agendados vários concertos nas diferentes freguesias do concelho de Cantanhede. Deste modo, descentralizava-se o festival e criava-se a oportunidade de mais pessoas ouvirem o dixieland, fazendo-o chegar, deste modo, ao maior número de pessoas possível. Estes concertos eram realizados na praça principal de cada freguesia, havendo uma maior aproximação ao público que, verdade seja dita, era bastante acolhedor. Por diversas vezes, fomos convidados para comer ou beber qualquer coisa no café ali ao lado e, em conversa com as pessoas, estas mostravam curiosidade e até admiração por verem ali uma banda portuguesa! À noite, no recinto de espectáculos, havia concertos que se prolongavam muito para além da hora de encerramento prevista. Era frequente, no final do último concerto, músicos de outras bandas juntarem-se e fazerem jam sessions até ser quase dia (exagerando um bocadinho).
No ultimo dia estava programada uma street parade. Às bandas que participaram no Festival juntaram-se algumas bandas filarmónicas, grupos de dança que recriavam o ambiente vivido em New Orleans, bem como um desfile de carros antigos e charretes. Foram 4 dias inesquecíveis que nos deram outras ideias e outros planos para o futuro da Astedixie Jazz Band.Foi pela participação neste festival que todos foram unânimes em duas coisas: a primeira, foi que a Astedixie Jazz Band esteve bastante bem neste festival; a segunda, foi que a Astedixie Jazz Band precisava de alguém que tocasse trombone. Para que a nossa sonoridade se aproximasse o mais possível do verdadeiro dixieland era fundamental incluir um trombone na nossa formação.
Quando voltamos a estar presentes? Quem sabe se num futuro próximo...
segunda-feira, outubro 23, 2006
Concerto na Lousã - 21 de Outubro de 2006
Pouco passava das 22h30 quando se começaram a ouvir as primeiras notas daquela música, típica do início do século passado em New Orleans. No início não estava muita gente presente para nos ouvir, talvez devido ao mau tempo. No entanto, o bar onde estivemos acabou por encher e a noite correu bastante bem! O público foi simplesmente fantástico, tendo interagido connosco em algumas músicas que nós tocámos (O Homem das Castanhas, When the Saints Go Marching In, entre outras). Durante quase duas horas, o som que reinou no Windows Café-Bar foi o Dixieland e, ao que parece, as pessoas gostaram, pois conseguiram «resistir» até ao final!O Tubalix e o Cornetix
terça-feira, setembro 26, 2006
Concerto em Amarante - 31 de Agosto de 2006
No dia 31 de Agosto, foi dia de irmos até Amarante. Nada melhor para acabar o mês de Agosto, pois Amarante, do pouco que vimos, parece ser uma cidade muito bonita!
segunda-feira, setembro 11, 2006
I Festival Happy Jazz Lisboa 2006 - 25 a 27 de Agosto de 2006
1º DIA
Participar num festival é sempre uma surpresa agradável. Neste I Festival Happy Jazz Lisboa 2006, fomos muito bem recebidos pelo público lisboeta. As praças e ruas da baixa escolhidas pela organização do Festival rapidamente ficavam cheias, o que tornava a nossa participação ainda mais agradável. Novamente, o Banjix não pôde estar presente (ainda estava de férias) mas o Gabriel já estava a contar com mais três dias com a Astedixie Jazz Band (pobre coitado, mal sabia ele com quem se tinha metido). Para este festival estava reservada uma surpresa. Depois de mais uma alteração na constituição da banda, com a saída do Baterix, a Astedixie Jazz Band precisou de encontrar alguém que o substituísse. O Rafael, conhecido entre nós pelo "Tone", passou a integrar a nossa banda, tendo-lhe sido atribuído o estatuto de Washboardix. No primeiro concerto do dia estava um bocadinho nervoso, o que até acaba por ser normal. Porém, esse nervosismo passou depois de acabar a primeira música e de ter bebido «sumo de cevada»! O dia até correu bem, mas jantar à meia-noite é que não fazia parte dos nossos planos...
2º DIA
O pequeno-almoço deste dia foi interessante e surpreendente: cerveja às 10h da manhã, patrocinada por umas das bandas espanholas que participaram no festival!!! Estes gajos eram completamente loucos! Neste dia tivemos mais dois concertos, um de manhã e outro à tarde, o que deu tempo ao pessoal da banda para dar um mergulho na piscina. Só o Clarinetix e a Trombonix é que optaram por outro programa, que passou por ficarem pela baixa de Lisboa a conversar com o nosso amigo Raul Calado... É bastante provável que tudo isto tenha sido uma desculpa para esconderem o medo que, certamente, têm da água!
3º DIA
Este dia foi mais difícil, talvez por ter sido o último. Começou por termos de nos levantar cedo, mais uma vez, para fazer um concerto de manhã. Pobres de nós, que estivemos acordados até às 5h30m da madrugada a jogar às cartas, a contar anedotas, a beber cerveja e a conversar sobre... assuntos triviais. À tarde foi a Street Parade, em que participaram todas as bandas presentes no festival. A Trombonix conseguiu um feito inédito: pôr toda a baixa lisboeta a cantar e a aplaudir "O homem das castanhas"!!! Não bastava este sucesso todo, ainda teve que envergonhar muitos dos músicos que lá estavam, quando os desafiou a tocar o "Bourbon Street Parade". Ela sabe rasgar aquela música como ninguém. Ah! Já agora, e a título de curiosidade: A Trombonix era a única menina presente em todo o festival!!! Merece uma salva de palmas!
Mais uma vez, agradeço a preciosa colaboração da Sandra.
Concerto em Boquilobo (Torres Novas) - 19 de Agosto de 2006
Foi um dia particularmente especial para a Astedixie Jazz Band. Por um lado, eu não pude estar presente. Tinha as férias marcadas e planeadas e este concerto veio coincidir com as minhas férias. Tive muita pena por não poder ir, apesar de saber que a pessoa que me ia substituir não ia deixar que a Astedixie Jazz Band fizesse má figura. Essa pessoa que me substituiu foi o Gabriel. A ele agradecemos a sua disponibilidade.
Por outro lado, este dia marcou a despedida do nosso Baterix, o Pedro Henriques. Desde o início da banda, o Pedro esteve sempre presente, tendo sido um dos elementos que maior esforço e dedicação deu à banda. Foi uma pessoa que sempre lutou para que a banda evoluísse e a ele devemos muito. Porém, chegou a hora de partir para outros projectos. Resta-nos desejar-te boa sorte, Pedro!
Para este post contei com a preciosa colaboração da Trombonix, que me deu a conhecer tudo o que se tinha passado. Muito obrigado, Sandra!
sexta-feira, agosto 11, 2006
As origens
Para hoje decidi escrever sobre as origens da Astedixie Jazz Band. Já lá vão uns anitos desde que isso aconteceu. Foi no início do Outono de 1998 que uma banda alemã de dixieland, a Mr. Jelly's Jam Band, deu um concerto no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra. Nessa altura o dixieland era praticamente desconhecido para nós. Já tínhamos ouvido qualquer coisa, mas aquele concerto a que alguns de nós assistiram foi o «click» que precisávamos para dar início a este projecto.
segunda-feira, agosto 07, 2006
Concerto no Porto - 5 de Agosto de 2006
O dia começou bastante cedo, mas só para alguns elementos da banda. O Banjix, por exemplo, pôde ficar mais tempo a dormir, uma vez que ainda ía trabalhar antes de partir para o Porto. Mas já lá vamos... A partida deu-se por volta das 9h. O check-sound de palco estava agendado para as 11h30, por isso não nos podiamos atrasar. Conta quem lá esteve que, depois do check-sound, a monotonia e o Síndroma de Moleza Pós-Almoço se instalaram. Sendo assim, decidiram dar um passeio até à beira mar, só para ver se a temperatura estava um pouco mais baixa. O baterista que foi connosco (o Rui) disse que, ainda assim, a água estava um bocadinho fria. "Ao princípio não se notava muito", mas quando deixou de sentir os pés é que se apercebeu que a água estava fria demais para o seu gosto.
Por volta das 19h chegou o Banjix, pronto a dar cabo da monotonia que se tinha instalado. Acabou por ser a presença do nosso amigo Rafael que animou um pouco a malta. Fartou-se de contar sketches dos Gato Fedorento e... Acreditem que ele tem mesmo jeito para aquilo!
Com a chegada das 19h30 chegou a hora do jantar. Estando nós no Porto, que ementa é que poderíamos escolher? Francesinha, pois claro!
Bem, mas como o motivo que nos levou ali não foi avaliar a francesinha, a seguir ao jantar fomo-nos preparando para o concerto. Seguindo os rituais do costume (vestir a "farda" e afinar os instrumentos) lá se foi aproximando a hora de subirmos ao palco. Era 21h45 quando se deram as primeiras notas e o recinto estava praticamente lotado, antevendo-se um bom concerto. Durante uma hora e quinze minutos, fomos tocando temas que caracterizam o Dixieland, tais como Willie The Weeper, When You're Smilling, Bourbon Street Parade, At A Georgia Camp Meeting, entre outros.
No final, o cansaço era bem visível. Mais de uma hora a tocar sem intervalo e com o calor que se fazia sentir (apesar de ser de noite) não é tarefa fácil. Mas todos nós estavamos satisfeitos, pois o concerto acabou por correr bastante bem. A gravação ficou feita, não deixa mentir (muito).
quinta-feira, agosto 03, 2006
O Dixieland
Quando se fala em Dixieland, ou simplesmente dixie, é importante conhecer também a sua origem.
Por volta do séc. XVIII, nos Estados Unidos, houve uma forte imigração de escravos, sequestrados ao continente africano.
Para além do sofrimento, estes escravos trouxeram consigo alguns objectos pessoais, entre os quais instrumentos musicais. Com medo que o uso destes instrumentos servissem de incentivo a algumas revoltas, os escravos foram alvo de uma grande censura, que os proibia de se exprimirem musicalmente ou até mesmo através dos seus dialectos.
Com a libertação dos escravos, toda a censura que era feita sobre eles, nomeadamente ao nível da actividade musical, deixou de se fazer sentir. Com a disponibilidade de instrumentos musicais, em que muito contribuíram os velhos instrumentos de bandas militares, e a oportunidade de se poderem exprimir musicalmente, estavam criadas as condições para o nascimento do Jazz.
A música Dixieland é um estilo de Jazz que nasceu no início do séc. XX, em New Orleans, e que rapidamente se espalhou até Chicago e Nova Iorque pelas New Orleans Bands, durante a década de 1910.
New Orleans é a maior cidade do estado de Louisiana, onde coabitavam brancos, afro-americanos, entre outros.
Um passeio pelas ruas de New Orleans era certamente acompanhado pelos sons de blues, ritmos africanos, folk songs e ragtime.
Com todas estas características, New Orleans teve um papel fundamental no nascimento e expansão do jazz, sendo o palco para a melhor produção jazzística, quer em qualidade quer em quantidade, entre 1895 e 1917.
Nesta altura, a atmosfera social, muito aberta e livre, era única nesta cidade. Pessoas de diferentes grupos étnicos podiam conviver e comunicar com grande facilidade, permitindo o aparecimento de uma nova e rica cultura musical. Não é por acaso que esta grande e animada cidade seja considerada o berço do Jazz.
Inicialmente, o jazz era ouvido em eventos sociais, como bailes, inaugurações, casamentos e em desfiles fúnebres (!), em que a banda saía da igreja tocando marchas fúnebres até ao cemitério e, na volta, ia acelerando o ritmo, entoando temas mais alegres.
Este tipo de música (o Dixieland) é considerado como o verdadeiro tipo de jazz e é a primeira música que se refere ao termo "jazz" (antes de 1917 o termo utilizado era "Jass"). Este estilo combina o Ragtime e o Blues com a improvisação colectiva, com o som definitivo a ser criado pela improvisação simultânea do trompete, do trombone e do clarinete.
Embora o termo Dixieland seja largamente usado, continua a ser um termo que gera alguma polémica. De um lado estão os que defendem que o termo "dixieland" se deve referir às bandas da costa Oeste Americana; No outro lado estão os que o adequam aos músicos de New Orleans e à música das bandas Afro-Americanas dos anos 20, havendo ainda quem defenda que deve ser utilizada a terminologia "Classic Jazz" ou "Traditional Jazz".
O que é certo é que foi o Dixieland que deu origem ao Jazz e, por isso mesmo, não é totalmente errado dizer que o dixieland é o Jazz no seu estado mais puro e original.



